Você tem ações da Vale? Ou pensa em tê-las algum dia? Esta é então uma boa hora para prestar atenção nela. E isso pode inclusive ser uma oportunidade para aqueles que estão pensando em entrar na bolsa ou buscando novos papeis para investir.

A mineradora está dando início a um grande processo de reestruturação de sua governança corporativa, o que tem impacto direto em suas ações e, na visão de grande parte dos analistas, deve trazer muitos benefícios à companhia e aos acionistas. Aguardada desde janeiro deste ano, foi finalmente aprovada no final de junho a proposta que pretende unificar as ações preferenciais e ordinárias da companhias em uma só.

O que é a migração?

Hoje são negociadas na B3 as ações preferenciais classe A (PNA) – a VALE5 – e as ordinárias (ON), VALE3. Com o projeto de nova governança, aprovou-se o programa de migração voluntária dos detentores da VALE5 à VALE3.

Entre as vantagens deste processo está o fato de todos os acionistas passarem a ter direito a voto e, uma vez que a reestruturação tenha sido bem sucedida, ocorrerá também a concessão de tag along de 100%, mecanismo que garante remunerações iguais à majoritários e minoritários em caso de mudanças societárias. Quer dizer, se alguma companhia por exemplo adquirir participação na Vale, o valor pago por ela por ação aos acionistas majoritários será repassado igualmente a todos os acionistas.

Uma das desvantagens é o “fee” cobrado para a migração: a troca de cada ação preferencial dará direito a 0,9342 ação ordinária, ou seja, um desconto de quase 7% sobre o valor original, uma vez que as ações ordinárias estão sendo negociadas a um preço mais alto que as preferenciais (hoje, dia 17/07/2017, as Vale5 fecharam a 27,94 e as Vale3 fecharam a 29,90, o que dá uma proporção de 0,934, exatamente a mesma oferecida para a conversão).

Até quando posso migrar?

O prazo é curto, e quem tiver interesse deve correr. O prazo máximo para os portadores das PNA realizarem sua migração é 11 de agosto – e o deadline varia entre as diferentes corretoras e bancos. Investidores do Bradesco e do Itaú, por exemplo, devem faze-lo no máximo até 8 de agosto. É importante checar com a sua instituição qual é a data limite estipulada.

É também o banco ou a corretora onde você comprou as suas ações as responsáveis por fazer a mudança. É necessários consultá-las e fazer a solicitação, dentro do prazo.

A razão por trás da mudança

A troca de ações são só um trâmite necessário para um plano muito maior e ambicioso da Vale. A companhia é controlada hoje pela holding Valepar, que tem 53% das ações com direito a voto e uma grande presença estatal, com BNDESPar e fundos de pensão entre os participantes. A intenção é pulverizar o controle e desconcentrá-lo gradativamente. A partir de 2020, não será permitido que nenhum acionista ou grupo de acionistas tenha mais de 25% de participação.

A expectativa é conseguir emplacar a Vale ao Novo Mercado da B3, grupo de empresas em que as exigências de transparência e governança são mais rígidas. Alguns critérios para fazer parte dele inclui justamente que a empresa emita apenas ações ordinárias com tag along de 100%, por exemplo.

É importante ressaltar, porém, que tudo isso só ocorrerá se, pelo menos 54,09% das ações preferenciais (VALE5) forem trocadas por meio de adesão voluntária de seus detentores, o que só se saberá após os 11 de agosto.

Veja o vídeo feito pelo diretor financeiro da Vale, Luciano Siani Pires, para explicar aos acionistas o que muda:

É afinal um bom negócio?

Apesar do desconto de quase 7% na transação de troca, o consenso do mercado é de que se trata de uma melhora significativa na gestão, dando mais segurança e garantias ao pequeno investidor e, portanto, uma boa oportunidade de negócio.

“Se a companhia tem capacidade de atingir essa parcela (54,09% de adesão), ValePNA (VALE5) pode começar a perder liquidez gradualmente. Temos recomendado não porque a ação vá disparar ou cair após 11 de agosto, mas no médio prazo pode haver alguma adição de valor por conta do aumento de liquidez na ON (VALE3)”, disse, a reportagem do Valor Econômico, o estrategista de pessoa física da Santander Corretora, Ricardo Peretti.

Guto Leite, gestor de renda variável da Western Asset Management, acrescentou que “apesar de, num primeiro momento haver um desconto, ou um prêmio a favor das ON, no fim do dia haverá um ganho de governança com a simplificação societária e a delimitação do escopo de influência dos fundos de pensão e do governo na companhia.”

No geral, o tom das principais consultorias e bancos é no sentido de encorajar a migração. O esvaziamento das atuais ações preferenciais, a maior profissionalização da gestão e a redução do peso do governo estão entre os principais benefícios citados. Um levantamento feito pela própria Vale diz que, em média, as ações de empresas nacionais e internacionais que optaram por este processo, se valorizaram 22,3% nos 60 dias seguintes à operação.

Mais informações
A Vale preparou uma página especial só sobre este assunto. Nela está explicado cada ponto da mudança, o cronograma e o passo a passo para fazer a migração, além de um conjunto de perguntas e respostas gerais.

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