Por quê?

Todos nós já sabemos que, durante o processo de construção de riqueza, é importante diversificar os investimentos. Não é aconselhável deixar todos os ovos na mesma cesta. Devemos colocar os ovos em várias cestas pois, se uma delas cair, não perderemos todos os ovos. A diversificação reduz o risco de perda e melhora a eficiência de um investimento. E diversificar “de fato” significa ultrapassar as fronteiras brasileiras e buscar rendimento no exterior. Isto porque, quem investe apenas em ativos nacionais, está exposto 100% ao risco Brasil. Embora grande parte dos brasileiros acredite que investir em ativos internacionais significa comprar um imóvel em Miami, há outras formas mais eficientes de diversificar os investimentos com ativos internacionais.

O trabalho de Wertheimer mostra que há ganho de eficiência para as carteiras de investidores brasileiros ao se incluir ativos internacionais. Esses ganhos ocorrem para todos os perfis de risco, desde o mais conservador ao mais agressivo. Além disso, o trabalho mostra que, quanto maior o perfil de risco da carteira, maior deve ser a alocação em ativos internacionais que torna a carteira mais eficiente.

Os brasileiros apresentam nível bem mais baixo de internacionalização de seus investimentos quando comparados com a média mundial. É claro que, qualquer investidor prefere investir em ativos de seu próprio país porque estes ativos costumam ser mais conhecidos e transmitem mais segurança. No entanto, este viés de casa (home bias) não é o único responsável por esta discrepância.

No Brasil, o investidor que decide investir em ativos internacionais costuma ser bastante desestimulado por conta das restrições, taxações e obrigações tributárias. Além disso, as altas taxas de juros praticadas no Brasil, costumam tornar o investimento em ativos internacionais menos atrativo.

Como?

Há basicamente duas formas de investir em ativos internacionais. A primeira consiste em enviar recursos para o exterior e a outra consiste em comprar produtos negociados no Brasil, mas que investem em ativos internacionais.

O investidor pode abrir uma conta pessoa física no exterior, mas terá que recolher mensalmente o IR sobre o rendimento. Outra forma, com mais eficiência fiscal, é usada por investidores com alto valor patrimonial e consiste na abertura de uma empresa no exterior, permitindo o deferimento de pagamento de imposto de renda até que haja a repatriação dos recursos.

No entanto, se o investidor optar por manter os recursos no Brasil, ele pode investir em fundos multimercados ou em fundos de investimento no exterior, os quais podem investir até 20% ou até 100% do patrimônio do fundo em ativos internacionais, respectivamente.

Para quê?

Ter ativos internacionais na carteira é aconselhável não apenas para quem tem uma grande fortuna para diversificar, mas também para quem tem objetivos no exterior, tais como morar, viajar ou estudar fora, ainda que temporariamente. Afinal, a economia brasileira vive um momento difícil, uma crise de produtividade, os riscos de uma desaceleração chinesa e uma inflação persistente.

É isso aí leitores. Diversificar investimentos significa ir além dos limites territoriais. O Céu é o limite!

Até a próxima.

Continuem conosco.