Produtos de renda fixa e variável em diferentes proporções são uma forma de manter uma carteira de investimentos mais rentável. Quando alguém adquire um determinado produto de renda fixa está, na verdade, emprestando o dinheiro a emissores, sejam eles um banco ou corretora, empresa privada ou governo. Em troca deste “empréstimo”, o investidor recebe uma determinada remuneração sobre o capital emprestado. Já mostramos, no post anterior, quanto investir em renda fixa. Veremos, agora, onde investir.

Pós ou pré-fixados

O mercado oferece produtos pós-fixados e pré-fixados. Veja as principais diferenças entre eles:

Pós-fixados: oferecem uma taxa totalmente variável (um percentual do CDI, por exemplo, ou um percentual fixo acrescido da variação de indicadores como SELIC, IGPM ou IPCA).
Exemplo: CDB pós-fixado com rendimento de 95% do CDI, 360 dias. Isto quer dizer que o investir receberá, após 360 dias, o principal acrescido da taxa equivalente a 95% do CDI. Como não há como saber qual será a taxa do CDI pelos próximos 360 dias, apenas no momento do resgate é possível saber a remuneração obtida. É descontado IR sobre o ganho.

Pré-fixados: fica definido, no momento da aplicação, quanto o investidor receberá no resgate (x% ao ano sobre o valor investido). São indicados para momentos em que se observa o fim de um ciclo de alta de juros.
Exemplo: um título CDB pré-fixado, 360 dias, com rendimento de 18% significa que o investir receberá, após 360 dias, o principal acrescido dos 18%. Se o aporte foi de 100 mil reais, ele receberá 118 mil ao final do período. É descontado IR sobre o ganho.

O principal vilão ao ganho real dos investimentos é a inflação de preços. Todos os indexadores usados na remuneração de produtos de renda fixa (SELIC, CDI, IPCA, IGPM) costumam acompanhar a inflação. Portanto, para se proteger dela, é aconselhável adquirir produtos pós-fixados. Existem muitos produtos de renda fixa disponíveis no mercado. Eis os principais deles:

CDB

O que é: o investidor empresta dinheiro a uma instituição financeira em troca de uma remuneração, que pode ser pré ou pós-fixada. A remuneração dos CDBs pós-fixados é atrelada ao CDI e varia de instituição para instituição. Algumas oferecem rentabilidade de 70% do CDI; outras, de 115% ou mais. As instituições menores tendem a remunerar mais. Os CDBs têm a garantia do FGC de até 250 mil por CPF e por instituição financeira em caso de insolvência.
Como investir em CDB: escolha um banco emissor do CDB. Ele não precisa ser, necessariamente, onde tem conta. Podem ser bancos menores ou mesmo corretoras. Determine o tipo de título que irá comprar e procure produtos que gerem proteção contra a inflação – no caso, os pós-fixados. Cada instituição financeira oferece uma taxa de remuneração. Negocie taxas de, no mínimo, 100% do CDI para que ele se torne vantajoso.
Custos: os CDBs não cobram taxa de administração, mas exigem o pagamento de IOF sobre o ganho (se o resgate for feito antes de 30 dias), e IR conforme a tabela regressiva.
Riscos: o principal risco é o da instituição financeira se tornar insolvente. Neste caso, existe a garantia do FGC.

Letras de Crédito Imobiliário (LCI)

O que são: títulos de renda fixa emitido por um banco e lastreado por empréstimos imobiliários. Os títulos podem ter rentabilidade pré ou pós-fixada. No caso das LCI pós-fixadas, o rendimento costuma estar atrelado ao CDI negociado com a instituição que emite o título. Normalmente, quanto maior o prazo e o valor da aplicação, maior o percentual do CDI pago aos investidores. Entre as principais vantagens da aplicação, está o fato de ela ser isenta de IR, o que garante uma rentabilidade líquida maior, principalmente no longo prazo.
Como investir: escolha uma corretora ou um banco autorizado a intermediar a compra e a venda de LCI. Nas corretoras, a chance de encontrar papeis mais rentáveis é maior. Pesquise o tipo de título que vai comprar e dê preferência à LCI pós-fixada e que ofereça o maior percentual do CDI. Tal como no CDB, a garantia do FGC se limita a aplicações de até R$ 250 mil por instituição financeira.
Custos: pode ou não haver cobrança de taxa de custódia. Geralmente a corretora não cobrará essa taxa se o cliente já investir em ações ou em outros produtos financeiros. Não há custo do Imposto de Renda para pessoas físicas.
Riscos: em caso de “quebra” do banco que emitiu o título, os investidores podem perder dinheiro. Entretanto, o fato deste investimento ser garantido pelo FGC até R$ 250 mil traz uma grande segurança para o investidor que respeitar esse limite. O risco de liquidez é a principal desvantagem da LCI, já que o título só pode ser resgatado no vencimento e o dinheiro não poderá ser movimentado até lá. Por isso, é sempre importante adequar a aplicação ao seu objetivo.

Letras de Crédito do Agronegócio (LCA)

O que são: títulos emitidos por bancos e lastreados em empréstimos concedidos ao setor de agronegócio. A rentabilidade da LCA pode ser pré ou pós-fixada. As LCA pós-fixadas, a rentabilidade geralmente é baseada em um percentual do CDI. A LCA tem como uma das principais vantagens o fato de ser isenta de Imposto de Renda.
Como investir: escolha um banco emissor ou corretora autorizada a intermediar a compra. A concorrência entre bancos pode ajudar a conseguir uma taxa de juros mais atrativa. Pesquise o tipo de título que vai comprar e, no caso de LCA pós-fixada, veja qual o percentual do CDI pago ao investidor. Procure LCAs que rendam o máximo possível do CDI. E, lembre-se: quanto maior o prazo de vencimento, maior a rentabilidade.
Custos: muitas corretoras não vão cobrar nada se você já investir em ações por intermédio da instituição. Tal como na LCI, tente não pagar taxa de custódia. O título é isento de Imposto de Renda para pessoas físicas, assim como as LCI.
Riscos: a “quebra” do banco que emitiu o título. Se isso acontecer, o FGC garante a o ressarcimento de até R$ 250 mil. A LCA normalmente só pode ser resgatada no vencimento do título. Por isso, caso tenha algum imprevisto e precise do dinheiro com urgência, o investidor não poderá usá-lo e terá de busca outra forma de levantar recursos.

Títulos Públicos

O que são: títulos emitidos pelos governos federal, estadual ou municipal com o intuito de arrecadar recursos para o financiamento da dívida pública ou então de servir como instrumentos de política monetária. A emissão e o controle dos títulos públicos fica sob responsabilidade da Secretaria do Tesouro Nacional, órgão subordinado ao Ministério da Fazenda.
Como investir: podem ser negociados diretamente no site do Tesouro Nacional. Os títulos públicos federais disponíveis para negociação são: pré-fixados (Letras do Tesouro Nacional e Notas do Tesouro Nacional – Série F e pós-fixados (Letras Financeiras do Tesouro, Notas do Tesouro Nacional – Série B, Notas do Tesouro Nacional – Série C.
Custos: taxa de custódia da BM&FBovespa (cobrada semestralmente, representa o equivalente a 0,3% ao ano) e taxa dos agentes de custódia (livremente acordada entre corretoras e investidores). O Tesouro Nacional disponibiliza uma tabela com o valor cobrado por cada corretora. Como em qualquer aplicação de renda fixa sem isenção, sobre os ganhos incidem IR e IOF quando o prazo da aplicação for inferior a 30 dias.
Riscos: são considerados os ativos mais seguros do mercado; afinal, é muito mais fácil um banco ou uma instituição privada “quebrar” do que um país inteiro. Por isso, apesar de existir, o risco de crédito é considerado muito baixo. Os títulos públicos também possuem volatilidade e o preço pode oscilar. Assim, se o investidor precisar resgatar o papel antes do vencimento, pode conseguir um valor menor ou maior do que o aplicado, dependendo da oscilação do título.

Debêntures

O que são: ao adquirir uma debênture, o investidor empresta seu dinheiro a uma empresa privada e recebe juros pelo valor emprestado.
Como investir: podem ser adquiridas por meio de corretoras ou bancos, diretamente das próprias empresas ou de terceiros que queiram se desfazer dos seus investimentos previamente realizados. Essa negociação é feita via Bolsa de Valores ou Cetip.
Custos: taxas operacionais, como taxa de custódia e a taxa da negociação. Procure verificar antes de efetivar a compra, se o título é interessante. Algumas debêntures apresentam isenção do IR quando emitidas por empresas para captarem recursos que serão aplicados na execução de obras de interesse público e podem oferecer retornos melhores do que os demais produtos de renda fixa.
Riscos: liquidez. Caso o investidor queira vender as debêntures antes do vencimento, pode não haver interessados ou serem oferecidos valores inviáveis para a venda. Há também o risco de a empresa não realizar o pagamento na data do vencimento. Para dirimi-lo, é preciso avaliar o histórico das empresas e sua classificação de risco.

Como montar uma carteira com produtos de renda fixa?

O montante do patrimônio a ser aplicado em produtos de renda fixa pode ser alocado nos seguintes produtos: NTN B, LCI ou LCA, e debêntures que remunerem, no mínimo, 100% do CDI. Todos esses produtos são pós-fixados e geram proteção contra a inflação. Portanto, compõem uma carteira bastante segura. Mas, não se esqueça: procure manter os produtos que pagam IR por, pelo menos, dois anos, e evite resgates antes da data de vencimento. Os produtos de renda fixa devem fazer parte da carteira de investimentos, mas procure considerar a regra dos 100 para que a carteira se mantenha balanceada, lucrativa e eficiente.

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